TRUMP(A)

DO CONTRA [52] FELICIDADE NO FUTURO

Os Vaticaninos são iguais em todo o lado. Declarações tolas não são só as de Sua Santidade o pastor alemão sobre a sida; sucedem-se a um ritmo superior ao desejável.

José Ignacio MunillaO bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla, declarou que
"existem males maiores do que a tragédia do Haiti".
Sua Eminência provou que merece o estatuto de bispo da ICAR, quando especificou que pior do que tal tragédia é
"a nossa pobre situação espiritual, a nossa concepção materialista da vida".
E, para que não restassem dúvidas, esclareceu: "O mal de que nós estamos a padecer talvez seja maior do que o que esses inocentes também estão a sofrer"
[será porque as catástrofes naturais são o resultado da vontade divina?, pergunto eu].
Face às críticas a tais disparates, um comunicado de Sua Eminência tratou de fazer o que é habitual na ICAR
[recorde-se, a título de exemplo, o que aconteceu com o referido caso de Sua Santidade]:
propôs uma leitura, digamos assim e de acordo com o que está na moda,... simbólica. Colocou as declarações no "plano teológico". Diz que procurou explicar que "o mal de que sofrem esses inocentes" não é o fim, "porque Deus lhes promete felicidade eterna"
[e a nós, os materialistas, promete, explicito eu, o fogo eterno].
A gente olha os montes de cadáveres espalhados pelas ruas do Haiti, as crianças esmagadas pelos edifícios desfeitos,... e apetece convidar Sua Eminência Reverendíssima a meter tal felicidade
[a felicidade que se conjuga no futuro. Entre muitos outros, que o diga Galileu, condenado em vida e reabilitado depois de morto]
no olho do cu. No Eminente cu dele, é claro.

escrito por ai.valhamedeus

8 comentário(s). Ler/reagir:

Fátima Rodrigues disse...

Caro Valhamedeus!
Será tão difícil perceber que o dito Bispo fala de dois planos (de felicidade) distintos?
Pois tenho que lhe dizer que, apesar do não haver palavras para descrever o drama humano a que temos assistido, no Haiti, muitíssimo mais grave é o drama da ausência de sentido de que carece o homem hodierno! Esta é bem mais danosa!...Porém, esta é só a minha perspectiva... que, pelos vistos, coincide com a do Sr. Bispo!...

Anónimo disse...

Parece que não há aqui um pingo de sensibilidade - nem do Bispo, nem do anterior comentário.
Não me parece ser altura para "filosofias" profundas e "perspectivas". Se pouco podemos fazer pelas vítimas, pelo menos ter respeito.
Subscrevo o último parágrafo de A.G.

Leitor banto disse...

Claro que a D. Fátima coincide com este bispo. Com este tipo de bispo. Sempre. Já deu exemplos suficientes neste blog.

Roberto Belisário disse...

Sobre a tal felicidade eterna, cabe aos religiosos a tarefa de confortar as pessoas em momentos difíceis; um dos principais instrumentos que usam para isso é a promessa da felicidade em outro plano. E essa vida do outro lado é muito concreta para essas pessoas que acreditam nisso. É isso que o bispo e o papa quiseram fazer nas suas afirmações sobre felicidade etarna.

A dificuldade surge quando não reconhecemos isso e tentamos julgar a postura deles em função do nosso ponto de vista, como se eles também achassem, como nós, que isso é apenas abstrato. Aí, claro que esse pessoal paracerá extraordinariamente cínico. Mas eles acham que é concretíssimo, eis o ponto. Isso faz parte do seu cotidiano tanto quanto meus óculos o fazem da minha.

E entre esses crentes não estão somente bispos, mas muitos haitianos. Será razoável negar a esses haitianos que nada mais têm uma das poucas fontes de conforto que lhes restou, a espiritual vinda da crença? Penso que essa postura, sim, coloca coisas ideológicas e simbólicas (oposição à religião por princípio; julgamento de afirmações alheias ignorando o ponto de vista do outro) acima de tragédias concretas.

Zombie disse...

Cada um pensa o que quer, acredita no que quer, faz do abstrato concreto quando quer. Se os haitianos acreditam nos bispos, no papa, no vodu e isso os leva a pensar que o terramoto foi o meio que os levou a um reino concretíssimo e fantástico, isso é lá com eles e não temos o direito de os julgar com o nosso ponto de vista ocidental, materialista e anti-religioso. Segundo esse ponto de vista, o ponto de vista dos que os ajudam está errado. Segundo esse ponto de vista (com óculos ou sem eles) as ajudas só servem para os afastar do caminho que conduz ao reino concretíssimo da sua felicidade (=episcopal, papal, voduista). A felicidade de ser (e continuar a ser) um país miserável (e um dos mais pobres do mundo).
Então o terramoto foi mesmo uma ajudinha bestial.

Tenham dó e tento na língua!

Anónimo disse...

das igrejas e afins ainda há por lá muita gente a ajudar... pondo a sua vida em perigo... dos "materialistas" como vocês se denominam, só a escrever nos blogs e a proferir enormidades com o cu sentado no sofá, para não sofrerem nenhum ataque ao mesmo. é que juntamente com os outros defensores dos casamentos gays se se puserem a jeito, os tipos podem ajeitar vos o cu, tal como pretendem para o bispo aqui representado... por isso, cuidado... eles andam por aí...

Zombie disse...

Pela profundidade deste último comentário anónimo podemos inferir que o seu autor:
1. está no Haiti
2. é membro de uma igreja ou afim (a fim de esconder a sua homossexualidade?)
3. tem a sua vida em perigo
4. não é «materialista»

E pela sua definição de «materialista» podemos inferir que:
1. não escreve só nos blogs
2. não «senta o cu no sofá» para assim poder sofrer um ataque ao mesmo.
3. entende que a expressão «ajeitar o cu» só é enormidade se proferida por um «materialista».

Por isso é que as «igrejas e afins» estão como estão!

Anónimo disse...

Amen
O autor não está no haiti mas tem o maior respeito e consideração por todos os que lá estão... e os materialistas não devem abundar por lá...
o autor não senta o cu apenas no sofá, mas não o põe á disposição da comunidade gay, excepto se houver umas lésbicas boas capazes de o "acarinhar", mulher é mulher, seja em que circunstância for, o mesmo se passando com os homens
o autor defende as difenças e não a confusão de tudo e de todos

as igrejas estão como o resto das sociedades...
ás vezes fazem bem, outras fazem mal, mas no ocidente a adesão às mesmas é livre... o mesmo não se pode dizer da obrigação de cumprir as legislações sobre gays, animais e outros que tais... que vocês tanto defendem segundo o princípio de uma falsa igualdade e de uma disfarçada tolerância...
vivam os tempos modernos... viva o totalitarismo dos estados omnipotentes (mesmo que impotentes)... Força ao poder das minorias e lembrem-se sempre que como diz o povo "quem não chora não mama"