TRUMP(A)

A MÚSICA OUVIDA DA TERRA (2)

Leonard Cohen
Um romântico em Lisboa


Começou por se oferecer à poesia. Depressa descobriu que os seus versos podiam ser vertigem semeados numa partitura. A crítica, que o tinha saudado como poeta, cortejou-o como músico: Leonard fez-se cantautor e, sem demora, conheceu o Allelujah da apoteose. Da geração de J. Baez, Dylan, e J. Joplin, emergiu rapidamente tornando-se numa referência romântica ímpar, espalhando o seu perfume por temas como Dance me to The End of The Love, Suzanne, Take This Waltz, Bird on the Wire ou Here it is.



Aos 76 anos ainda desposou Lisboa. O seu olhar perdeu a vivacidade e o fulgor; o seu corpo, rígido, quase estático, já não desafia a gravidade, mas a sua voz, grave, mantém a solitude calma de uma paixão em trânsito para a eternidade (!?) cantada do amor. O seu carisma tem agora o suporte da sabedoria que mora no ancião. Cohen, sendo poeta e músico, qual filósofo que também incorpora, canta a espiritualidade que ainda resiste no regresso ao outro. A bonomia que dele ainda transborda, dá-nos transversalmente, em cada acorde, a dimensão da bondade. Homens assim são garantia de que a humanidade ainda pode viver para um apogeu de esperança.

Post-Scriptum: a quem interesse, de Leonard Cohen, está disponível um dos seus romances (O Jogo Favorito, Ed. Alfaquara, 2010), tido por alguns como autobiográfico.

[Lisboa, 10 de Setembro de 2010 – PA- 21:30]

escrito por Jerónimo Costa

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