TRUMP(A)

AVIVAR A MEMÓRIA [9] HOMENAGEM AO ZECA AFONSO


O texto do Jerónimo Costa fez-me recordar estes versos dedicados ao cantautor, aquando da homenagem em Faro, em Abril de 1994.

Presentes estiveram cantores como Fanhais, entre muitos outros. No vídeo ouvemos Zeca Afonso a cantar uma lindíssima balada de Coimbra, acompanhado à guitarra, ou será viola?, por um elemento da família Pato, por sinal amicíssimo de uma grande amiga minha, e em cuja casa estive, pelo menos uma vez. Que me recorde!

Bons tempos, quand même!
( O 25 de Abril ainda ia levar alguns anos...)

HOMENAGEM A ZECA AFONSO


Um frémito paira na sala
O coração estremece
E antes que a voz comece
Solta,
Límpida,
Clara,
A multidão desfalece.

Desfalece de emoção,
Exaltação,
Recordação.

O corpo ondula a compasso
Vozes brotam a espaço.
Tímidas,
Trémulas,
Inseguras,
A coberto do escuro.

E logo, num sobressalto,
Esvaem-se num sussurro.
Mudas,
P’ra não espantar a magia.

Magia de caras várias,
Mundo frágil,
Incoerente,
Estranho
De muita gente.

Ó Poeta coerente
Bem-hajas por Tu
Seres Tu!
Deste outro sentido ao mundo.
Fizeste da realidade sonho!
[Abril 94]

2 comentário(s). Ler/reagir:

jfernandescosta@gmail.com disse...

Rui Pato (irmão do Octávio, retirado do nosso convívio em 1999, também em Fevereiro, mas a 19), médico, que acompanhou O Zeca em muitas incursões musicais e aparece na ficha técnica de alguns dos seus melhores discos.

Anónimo disse...

Obrigada por me recordar o primeiro nome do guitarrista. Tentei lembrar-me, mas para não errar, abstive-me. Só me lembrava do nome do irmão, do Octávio. Será que isso me aconteceu porque o meu falecido irmão(há um ano) também se chamava Rui? Quiçá. Lapsus memoriam!?
Que me perdoem os latinistas
Gabriela