TRUMP(A)

DOM POLICARPO, O BOMBEIRO

Diz-se que o Cardeal Patriarca Gonçalves Cerejeira e Oliveira Salazar não morriam de amores um pelo outro. O que não impediu a Santa Aliança entre a Igreja e a ditadura -- a Santa Aliança Cerejeira-Oliveira.

Parece-me que Cerejeira é a fecunda inspiração do actual ocupante da cadeira patriarcal de Lisboa. Refiro-me, claro, ao Patriarca dom José Policarpo. O senhor dom José tem sido bombeiro ao serviço do governo. Em tempos de governação socretina, deixei aqui notícia do apoio do senhor dom José ao status quo de então: aos lucros das empresas, à banca, aos grandes empreendimentos como o novo aeroporto, a "coisas notáveis" (sic!) do ex-governo socretino. Agora, o senhor dom José pegou novamente na mangueira para lançar água em eventual fogueira: apelou à cooperação responsável da oposição com o novo governo, para "levar as coisas a bom termo"; da oposição e das organizações laborais, patronais ou outras; alertou contra os perigos de a Grécia se repetir em Portugal; pediu, insistentemente, paz social. E, claro, a manutenção da Concordata.

Não sei se o senhor dom José sabe que Portugal tem um nível de desemprego desgraçado. Que o mesmo vai aumentar. Que a populaça vai levar porrada da grossa. Que os gregos pagam juros elevados a gente que diz ajudar o País. Que o mesmo virá/está a acontecer a Portugal. Que na Grécia há responsáveis pela situação em que o País está. Que por cá, também. Não tenho a certeza
[já que, pelos ouvistos, o senhor dom José não fez referência a nada disso],
mas o senhor dom José há-de saber disto, por certo -- embora, ainda pelos ouvistos, não lhe interesse. E compreende-se: desemprego é com os desempregados; salários de umas centenas de euros, é com os próprios... O que, segundo parece, é com o senhor dom José é a salvação do País (esteja nisso englobado quem estiver). E o País precisa é de calma. De paz social.

Tomei nota, senhor dom Cerejeira (perdão!... senhor dom José). Não tenho a certeza de que seria esse o discurso do seu presumível chefe, o tal Jesus Cristo, se andasse por Lisboa. O que não admira: quando andou pela Palestina, o discurso dele não foi o dos fariseus. Não querendo recuar tantos séculos, fique-se, senhor dom José, pelo século passado, por um tal que é conhecido por "o bispo de Setúbal"
[tão longe vão esses tempos, senhor dom José!...].
escrito por ai.valhamedeus

2 comentário(s). Ler/reagir:

A história o confirmará disse...

Onde estava o Prof. Doutor José Policarpo antes do 25 de Abril de 1974? Em 1968-69 ajudou à expulsão do reitor do Seminário dos Olivais, para logo convencer o Prof. Doutor Manuel Cerejeira a nomeá-lo a ele. Identificou-se totalmente com as posturas de um Patriarca que nessa altura sofria já de demência senil, para ocupar o vazio deixado por padres honestos que decidiram não alinhar com a ditadura (religiosa e política). Para facilitar o assalto ao patriarcado, nada melhor que a Reitoria da Universidade Católica. Até nisso seguia os passos do Doutor Cerejeira.
O que este diz hoje só prolonga o que era ontem: um homem sedento de poder. Já que não conseguiu ser papa (Policarpo é um bebé de mama comparado com a velha raposa alemã) quis dar peso ao velho ditado de que en terra de cegos, o zarolho é rei. No mundo das lutas palacianas (desde as vaticanas às reais/presidenciais), o Doutor José Policarpo não passa de um zarolho com sorte.

faffradelos disse...

Eu só quero comentar é o feriado do dia 7 de Junho que é o feriado mais importante de toda humanidade que pode existir no mundo inteiro e pelos vistos os anti faxistas ou seja o nosso Governo de Direita quer acabar o feriado que em todo o mundo se comomora e pelos vistos eu nao vejo nenhuma reaçao da Igreja isto é a mesma coisa que quando os profectas entregaram Jesus para ser condenado e crussificado. Por favor em nome de Deus nao deixem acabar com um unico dia em que os Portugueses respeitam a Deus. o dia de Deus nao é o dia de qualquer Santo ou dia de qualquer Senhora . Por favor utelizam os meios de comunicaçao para dizer Basta aqueles que nos tiram o comer e agora querem tirar o dia mais importante da humanidade.