TRUMP(A)

15 DE OUTUBRO NO PORTO

Havemos de ser mais. Eu bem sei. 
[Zeca Afonso em Venham mais cinco].

A Praça da Batalha (no Porto) albergou ontem, de forma revoltada (mas pacífica), milhares de indignados. As proverbiais discórdias sobre o número dos participantes foram compensadas – e bem! – pela escrita objectiva, disposta nos cartazes que viajaram, em mãos firmes, na direcção da Avenida dos Aliados, perfilando-se junto à Câmara. O Porto foi uma das cidades que, a nível mundial, expressou, com determinação, o seu desacordo com as políticas de empobrecimento e retrocesso civilizacional responsáveis pela degradação da democracia e pelo cercear dos direitos e das liberdades dos cidadãos.

Imagens que falam por si:


escrito por Jerónimo Costa

11 comentário(s). Ler/reagir:

Anónimo disse...

Só é pena que muitos desses indignados nunca se tenham mostrado solidários com os precários pois gozam de todos os privilégios e deles não abrem mão para "repartir" pela nova geração: quantas horas extraordinárias há nas escolas de norte a sul que podiam ser distribuidas por profissionais contratados? e na saude? e no resto...
Já agora porque é que os "indignados" que continuam a manter os privilégios não propõem a mesma forma de trabalho e a mesma distribuição dos rendimentos por todos os seus iguais? Ou acham que por serem profissinais do quadro só têm direitos e os deveres são apenas para os jovens precários?
Já que não pode ser de outra maneira, o ideal era que todos estivessem ao mesmo nível, mantivessem os mesmos privilégios e fossem remunerados de igual forma, trabalhassem uma semana, um mês, um ano, uma década, ou fosse o que fosse... porque não começar por uma nova organização do trabalho que se adapte aos tempos modernos...
o tempo da cantiga como arma já lá vai e não volta, mesmo que os indignados passem o tempo a cantar e a dançar...

Anónimo disse...

Cara anónima,
(NÃO SEI POR QUE RAZÃO, MAS PARECE-ME SER ANÓNIMA)
Quando nós, os instalados nos privilégios, como lhe chama, começámos a trabalhar, o salário era baixo, não tínhamos carro e andávamos pelo país inteiro para arranjar trabalho. Na faculdade não tínhamos pó-pó, nem íamos aos bares dia sim, dia sim. Nem às discotecas, que não havia, ou havia uma, e era um pau. Não havia Erasmus nem bolsas de investigação.
Quando íamos para o Liceu, íamos a pé, debaixo de sol e debaixo de chuva, e sobre a neve. Os paizinhos não nos iam buscar à escola mesmo que chovesse a cântaros. Chegávamos a casa e ajudávamos as nossas mães nas lides da casa. Não havia televisão nem playstations. Íamos buscar livros emprestados à biblioteca itinerante e a roupa era feita em casa e passava de uns para os outros. Não havia cá Zaras, nem Stradivarius, nem Guggi, nem nada.
Você sim, você deve ter tido sempre tudo para querer que alguém com vinte e poucos anos ganhe e tenha as mesmas "mordomias" que pessoas de 50 ou 60 anos com mais de 30 e 35 anos de trabalho, que têm de tomar conta de filhos e netos, mesmo cheios de reumático, Alzheimer, Parkinson e outras m.
Não acha que a sua juventude já é um privilégio?
Quando chegar à minha idade, venha falar comigo, e diga-me se acha justo. Só que já cá não estarei, pois nasci em 1950.
Gabriela

P.S E não sabe da missa a metade: fiz várias greves para ajudar os mais novos.
Vá, consulte o Sindicato dos profs e veja se estou a faltar à verdade!
E olhe que fiz camas na Alemanha para custear a minha formação; não foram os meus pais a fazê-lo.
Nem faz ideia o que me tiraram na reforma! Privilégios?!, bah...
Aconselho-a/o a lavar a boca quando falar dos privilégios dos mais velhos e da geração que canta e dança canções. Talvez seja preferível a emborcar cervejas até altas horas, deixando os despojos da noite para os outros limparem, e fazer barulho sem respeito pelo sossego dos mais velhos e das crianças.

Anónimo disse...

Para o|a comentador|a, que abre as hostilidades, ficam duas sugestões:

1. dê uma vista de olhos em http://aeiou.expresso.pt/veja-os-rendimentos-de-15-politicos-portugueses-antes-e-depois-de-passarem-pelo-governo-grafico-animado=f680329

2. Faça um favor a si próprio|a:
descubra outros casos idênticos (e há tantos!), cumpra as suas obrigações cívicas e denuncie.

Deixe de se atirar, aleatoriamente, a quem trabalha e o faz com dignidade. Transformar todos os trabalhadores em precários, nem para os precários é bom. Tire o rabinho do assento e lute ao lado dos que se indignam com o desenfreado ataque aos mais elementares direitos de quem trabalha (ou já trabalhou). Se não gosta da cantar e dançar ao som do Zeca Afonso, escolha outras melodias, certamente terá ainda dois ou três neurónios que vão vibrar.

J Alberto disse...

Caríssimo/a morto/a de indignação com os indignados.

Você tem razão numa coisa que nem a indignação «ad hominem» da comentadora Gabriela pode abafar. A história das horas extraordinárias. Num país onde não há emprego, o segundo emprego das pessoas que fazem horas extraordinárias é uma afronta que nem a falta de comodidades, nem o sofrimento do passado, nem os anos de brilhante carreira podem justificar.
O resto da sua choradeira é indignante. Como se a culpa dessa e doutras injustiças fosse dos professores! Você que provavelmente caiu nessa profissão porque não conseguiu melhor média para a que queria, sente-se de moco caído, e em vez de se indignar com a corja que nos tem governado -cuius Deus troika est- mendiga indignamente a solidariedade dos seus colegas justamente indignados.
Olhe, pegue nas perninhas e ponha-se a caminho da próxima manifestação de indignados. Encha os pulmões de ar contaminado e grite, por exemplo, contra quem lhe deu as bolsas de estudo, de mão beijada, e agora lhe nega um emprego decente.

Anónimo disse...

Têm todos razão... inteiríssima razão... Já não tenho assim tão poucos anos. Vivi no tempo das "vacas magras". conheci o desemprego e a precariedade. Aliás trabalho há mais de 20 anos para o estado sempre como contratado.
tenham dó. vão dar lições de moral e civismo aos políticos que de facto roubam o povo, desde a pequena freguesia ao governo central. Masforam vocês que os instalaram lá e votam neles - neste ou noutros tanto faz...
ainda bem que não tenho a intelig~encia de todos vocês, pois como apregoam e bem, tinha um neuróneo que está a definhar...
sabem porque não canto nem danço, nem o zeca que até gosto de ouvir ou outro qualquer? Porque não acredito no género humano e já sei o que vai resultar daqui: muita indignação - e justa- diga-se, a que se seguirá um estado de repressão e a perda progressiva dos chamados direitos civis. Mesmo só com um neurónio a funcionar mal vejo pelos livros da História que a cada momento de revolução se seguiu outro de repressão, sempre necessário para "endireitar" as sociedades...
Mesmo com meio neurónio continuo a pensar que o "homem é o lobo do homem", hoje, amanhã e sempre...
aposto com todos vocês que mais ano menos ano, a democracia participada dos indignados vira em regime autoritário conduzido por homens e mulheres que hão-de emergir desse movimento... pode ser que me engane, mas o paraíso é uma miragem e o passado da civilização não garante nadade bom...
tão democratas como dizem ser, não se esqueçam que faz parte do exercício da cidadania escolher não participar em manifestações ou qualquer outro ajuntamento... para já Viva a liberdade! que provavelmente tal como a conhecemos, não se deve manter por muitos mais anos...

Frei José da Santíssima Trindade disse...

Pela foto que nos deixa, este/a anónimo/a é natural de Marte e vive sem papéis em Portugal. Só assim se explica a omnipresente dicotomia «eu-vocês» (vítima inocente-vitimários culpados).

Resumindo a filosofía do comentador/a, a vida é uma porcaria. Todos os outros são porcos, feios e maus. Além de perversos e responsáveis de todo o lixo político atual.
Ao contrário da ideia peregrina de António Machado, para «el caminante» há um caminho seguro que leva às profundas dos infernos. E as revoluções são a porta de entrada à ditadura.

Se não fôssemos um país de «brandos costumes» aconselhar-lhe-ia uma de duas: um tiro na cabeça ou o regresso imediato a Marte.

(Reconheço que o masoquismo tem os seus adeptos, tão entranhados como o futebol).

Anónimo disse...

Não há dúvida que um homem ligado ao céu só pode aconselhar os seus interlocutores a antecipar a viagem - outra coisa não seria de esperar. talvez assim possa distribuir mais um pouco do que por cá ficar. Mas aquilo que diz nada anula do que já foi dito. O seu interlocutor anterior poderia sempre perguntar-lhe com as vozes do céu: diga-me uma revolução que não acabasse em (de)volução? Uma que seja e talvez eu deixe de concordar com o marciano louco anterior. Se ler o hegel poderá perceber da necessidade dasrevoluções para a "purificação" e regeneração dos povos... e o homem até era alemão, ou perto dali...

Anónimo disse...

Agradecemos a razão que nos concede. Pela idade (que aparenta), deveria estar a salvo de algumas lições de moral. Mas, tenho para mim (sem ter dó), que nunca se é suficientemente provido para as dispensar ou suficientemente tolo para as olhar com sobranceria. Quanto ao género humano – em quem não acredita – convinha que, ao menos por instantes, concedesse que há crenças falsas e, desde logo, não vendo o mundo de Marte, o primeiro desqualificado|a com tal crença é o próprio comentador, que descrendo do género onde pertence, descrê de si próprio. Quanto ao que advoga, depois de “ver os livros de história”, não passa de um mito confrangedor que justifica perfeitamente a inação a que, de resto, tem todo o direito. Napoleão considerava que “um espião no sítio certo substitui vinte mil homens na frente”, coisas que se podem ver em livros de história, provavelmente terá alguém bem colocado no futuro que já lhe passou a mensagem de que isto só pode mesmo é piorar. Se assim é, eu que não domino as artes da adivinhação, respeito. Quanto aos neurónios, referia-me apenas àqueles que são talhados para promover sinapses musicais; se quer fazer mais algum exercício para provar o que quer que seja, está por sua conta e para ficar bem visto, embora não acredite na bondade do género humano, pode demonstrar o teorema de Gödel. Uma vez que está disposto|a a provar que é dono de algumas meninges (certamente as três), pergunte a si próprio|a qual é o paradoxo da tolerância; facilmente chegará ao da liberdade. Obrigado por nos lembrar a história do paraíso, matéria que há-de fazer parte de alguns livros, talvez da História (dos mitos).

Diógenes, para os amigos.

Anónimo disse...

mas que "cultice" por aqui vai. ele céu, inferno e paraíso, tudo em nome da liberdade, que me parece aqui disfarçada. parece... todos os cidadãos têm direito a fazerem o que quiserem e a pensarem como quiserem... isso é o exercício da liberdade...
as coisas estão difíceis, parece que sim... mas com certeza os milhões que engrossam as manifestações com tanto afago maternal e paternal, têm centenas de milhar, para não dizer milhões, de soluções para resolver as crises... para lá é claro do estafado argumento que enche os cartazes os ricos que paguem a crise e os bancos que nos d~em o dinheirinho que tanto precisamos a fundo perdido.
parece-me que os milhões de sábios que engrossam as manifestações em breve resolverão as crises mundiais... que sorte a nossa!!!

Anónimo disse...

Gosto das reticências ponto
São um "bom" argumento vírgula em tempo de escassez ponto

A fundo perdido virgula não virá certamente a inteligência ponto final

Frei José da Santíssima Trindade disse...

Com tantos anónimos a comentarem os comentários de outros anónimos, já me perdi.
Viva a revolução, a restauração, a convulsão, a regurgitação, a devolução, a involução e a depressão!
A nossa sorte é que o último despacho deste governo será uma licença para que cada português possa rapar erva em todos os jardins públicos de Portugal e das regiões autónomas. O regresso gratuito ao paraíso.