TRUMP(A)

OS LIVROS (4)


O Público tem no seu site umas quantas entrevistas feitas na feira do livro do Porto sobre se o livro em papel vai acabar ou não.


Há respostas que denotam não se saber o que já é feito em suporte digital, nomeadamente no Kindle.


Sou da opinião de que o livro não vai acabar, mas o suporte em papel vai para valores residuais, em poucos anos. O livro em papel, não é uma questão de querer ou não acabar com ele, é saber se, com as tecnologias actuais, o livro em papel terá um futuro risonho. Sobretudo por uma questão de custos, incluindo aqui a impressão, distribuição, armazenamento e venda. Nós assistimos ao encerramento de livrarias por todo o país. Veja-se Faro. Conheci, nos anos sessenta, a Portugal, a Silva (das melhores do país), a Capela, a Artys, a Académica, a Luso-Espanhola, já para não falar das que existiram posteriormente, a Europa-América, a Caminho, a Sagres. Destas, existe a Europa-Amércia e a Sagres, esta sempre mais papelaria e aquela dedicada aos livros de auto-ajuda, mais recentemente. Hoje temos o Pátio de Letras (das melhores do país, que é Leya), a Bertrand. Está Faro limitada a estas duas livrarias. Não se devem incluir a Sagres e a Europa-Amércia, pelas razões referidas, e a Livraria Simões, pelo seu âmbito.

Em Tavira, em 1980, havia o Sr. Santos, Rifiola, Ideal, Brasil e Nova Aurora (esta, não é por ter sido minha, mas uma das boas livrarias do país). Hoje só existe a bookit no Plaza (uma livraria boa).

Há pouco, noticiou-se o fecho da Livraria Portugal. Agora, a Petrony. E quantas “morrem” sem darmos por isso?

O livro manter-se-á, não necessariamente na forma de papel, mas como meio de transmissão cultural por excelência.

O livro foi sempre um empecilho aos ditadores, coisa bem espelhada no filme de Truffaut Fahrenheit 451, “arma” do saber e índice civilizacional. Era a Literatura que distinguia os Gregos dos outros povos, os Bárbaros, e lhes dava a superioridade.

Estou convicto de que as livrarias irão fechar por este nosso país fora. É um movimento imparável, e devemos habituar-nos a outras formas de aquisição, mesmo dos livros em papel. Encomendar pela net é um meio já muito usado. Mais de 50% dos livros que compro, faço-o pela net.

Habituemo-nos à ideia do fim das livrarias. É mais certo isso que nos vermos livres da troika (ou tróica?).

escrito por Carlos M. E. Lopes

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