TRUMP(A)

EX-CITAÇÕES * 139. corredor de fundo


Os dois primeiros anos da criação desta disciplina [Multimédia, por sugestão da Direcção do Agrupamento] foram fantásticos; em quatro participações em concursos de vídeo a escola venceu todos. Um destes prémios foi um prémio internacional promovido pela União Europeia. Este foi muito importante para os alunos participantes, para mim, mas sobretudo para a Escola, pois, para além do reconhecimento nacional e internacional, esta arrecadou ainda uma verba bastante significativa, tendo permitido a aquisição de equipamento para a disciplina.
Deveria terminar este auto-retrato com satisfação e com optimismo, mas não é o caso, pois a angústia de ser professor nos dias que correm é enorme. Todas as mudanças que têm sido feitas na Escola Pública têm sido dramáticas para o desempenho da profissão docente.
Há alguns anos atrás, não conhecer os alunos pelo seu nome era uma coisa normal nos primeiros meses de aulas; não conhecer os alunos pelo rosto era uma coisa normal nos primeiros dias de aulas. No passado ano lectivo não consegui chamar grande parte dos alunos pelo seu nome, e pior do que isso foi não reconhecer alguns dos seus 300 rostos. A verdade é que o número de alunos irá aumentar ainda mais no próximo ano lectivo. O que será desta Escola Pública? Como conseguirei eu ser um professor Manuel Vaz [no texto longo do auto-retrato o autor refere a influência que este professor teve na escolha da profissão e no curso que ele seguiu] se nem conheço o rosto dos meus alunos?
[Carlos Rodrigues, 37 anos, professor de Educação Visual e Tecnológica / Produção Multimédia, na Escola Básica 2, 3 Luís de Sttau Monteiro, em Loures].

escrito por Gabriela Correia, Faro

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