Meursault é uma pessoa estranha a quem o mundo é indiferente, e, como diz Sartre, “este homem lúcido, indiferente, taciturno…” não reage como o comum dos mortais perante os factos: a morte da mãe, matar um homem, ser julgado, fazer amor. Antes com uma indiferença que é também serenidade. Daí ser um estranho, estrangeiro aos olhos dos que o rodeiam. Meursault é condenado à morte por ter matado um homem, mas é-o sobretudo por ter demonstrado indiferença perante a morte da mãe. Mais do que o ato de ter disparado e matado um homem, a personagem é condenada por não ter reagido à morte da mãe com o sentimento com que as pessoas normais reagiriam.
Camus leva-nos a refletir face aos clichés e às nossas reações “normais” face aos factos. É um livro que trata a vida com secura, trata do absurdo da vida. Tema que o próprio Camus desenvolve em
O mito de Sísifo.
Segundo alguns, logo a entrada, “Aujourd’hui, Maman est morte´´, é elucidativa do romance, marca a indiferença da personagem e constitui uma das entradas mais famosas da literatura francesa.
Ler este livro (e reler agora), deu-me imenso gozo e julgo que é um dos livros de leitura obrigatória.
escrito por
Carlos M. E. Lopes
0 comentário(s). Ler/reagir:
Enviar um comentário