TRUMP(A)

ILUSTRAÇÕES... DE UM OUTRO SENTIR * 54

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EQUINÓCIO DA PRIMAVERA
É o tempo de os pequenos ventos 
começarem a contornar as árvores 
num longo arrepio diurno 
A claridade ondula, desdobra-se, esfia-se 
e logo se esfiapa espalhando as sementes
num curto silvo áspero e vertiginoso 
Equinócio da Primavera 
reconhecem os amantes 
Encostados em longas 
almofadas dormentes 
Saindo da penumbra a raposa lambe o sol
com a sua língua de prata a detectar
o sabor dolente das chuvas fracas e recentes 
Reconhecendo os novos odores almiscarados e o seu
pêlo ruivo possui o tom da chama acre pontilhando
de ocre as clareiras das matas ávidas de seiva 
Equinócio da Primavera lembram-se os amantes
enquanto mergulham nas frias águas dos lagos 
que devagar se libertam dos gelos 
Ao longe renascem os ruídos que se reconhecem
a si mesmos e onde já dançam as asas fulvas e os 
raios de uma luz esgarçada, enquanto nos montes 
Por entre a folhagem incipiente e nos silvados 
surgem os bagos, as bagas e os caules timidos
assustados, das longas flores oscilantes e lívidas 
Equinócio da Primavera sabem os amantes 
Escutando os corpos inquietos e deitados 
nas grandes pedras macias ainda frias 
Quem são os animais que correm
com os lobos nas florestas
adivinhando a lua pelas frestas das árvores? 
Tal como as águias, as constelações cintilantes
ao longo das noites tépidas 
têm um imenso olhar que a si mesmo se despe 
Equinócio da Primavera
murmuram os amantes 
No momento exacto em que 
o sol cruza o equador celeste
[Maria Teresa Horta]

foto, de ai.valhamedeus; escolha do poema, de Ana Paula Menezes.

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