TRUMP(A)

OS LIVROS, SEMPRE OS LIVROS...

A anarquia reinante nos meus bocados de biblioteca é de arrepiar. Cinco mudanças de casa em meia dúzia de anos geraram um desnorte geral, aliado a uma desorganização sistémica. Posso encontrar Dickens ao lado de Direito Romano, Hasek ao lado de Platão, Cunhal ao lado de Nuno Bragança, Carlos Fiolhais em namoro com Júlio César. Uma confusão só comparável com a cabeça do dono…

Mas os livros são uma paixão. Levar horas à procura de um título que não se sabe onde está, olhar as lombadas, folheá-los e …lê-los (não tanto como o desejo quer…).

Uma livraria em Saint Germain, em Paris, ao lado do Café de Flore, fascinou-me. Não muito grande, mas bem arrumadinha, à entrada, à esquerda, lá estava a biblioteca da Plêiade. Admirável coleção, lindas lombadas, encadernação de esmero. Foi o pai de André Schiffrin, um editor, que a criou.

Papeis pintados com tinta, como dizia Pessoa, a escrita (e o livro) é o maior invento do homem, a par da roda.

Há forma mais feliz de passar umas horas do que lendo, no silêncio absoluto, um livro, passando por terras, dialogando com pessoas tão longínquas, assistir a diálogos incríveis, batalhas medonhas, acompanhar histórias de amor sublimes? Mas pode-se ler num café, num jardim, num transporte, num estádio de futebol. Em qualquer lado e a qualquer hora. Uma beleza sem fim.


Gostaria de deixar a minha biblioteca, sem valor bibliográfico, é certo, mas com carradas de livros que poderão ser úteis a quem ainda tem avidez pela leitura. Não concordo com o Pepe Carvalho que acendia a lareira com os livros da sua biblioteca. Não, isso não, mas o Pepe é uma personagem admirável. E se ele percebe de cozinha, de vinhos e de livros…

escrito por Carlos M. E. Lopes

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