TRUMP(A)

ACORDISTAS CONTRA ANTI-ACORDISTAS


Nesta luta acesa entre os acordistas e os anti-acordistas
(a fogueira está a desacender, à medida que nos afastamos de datas como a entrada em vigor definitivo do dito),
há algumas conclusões que eu, polemicamente, tiro. Por exemplo,
  • os anti-acordistas são mais aguerridos do que os acordistas;
  • os anti-acordistas são mais incendiários do que os acordistas. Os argumentos que esgrimem, com frequência, balanceiam-se entre a ignorância arrogante (o caso do conhecido juiz cagado de fato malcheiroso é apenas o mais mediático) e os clamores emotivamente sonoramente ampliados.
 Deste último grupo fazem parte, por exemplo, José Pacheco Pereira. No texto Os apátridas da língua que nos governam, escreve que
Uma geração de apátridas da língua, todos muito destros em declamar que a “a nossa pátria é a língua portuguesa”, minimizam a nossa identidade e a nossa liberdade. É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.
"[...] como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar"?! valha-o deus!

escrito por ai.valhamedeus

5 comentário(s). Ler/reagir:

Ana Paula Menezes disse...

Não "urramos" ... antes defendemos a evolução da língua, que sendo património é fator de identidade e, também por isso mesmo, elemento integrador dessa mesma evolução!
Não queremos o orgulhosamente sós, porque foi penoso e se permitiu anos de língua imaculada (na perspetiva de alguns!!!), afastou-nos do resto do mundo! Somos portugueses com ou sem acordo - mas temos que nos preocupar, para não nos configurarmos como "urros" com outras questões!!!! Não é aqui que reside o perigo da identidade nacional!!!!!

Anónimo disse...

Não, não é aqui que reside o perigo da identidade nacional. Mas é aqui que reside o perigo da identidade da língua, e a causa dos erros cada vez em maior número, cometidos por um cada vez maior número de pessoas.
Pois eu prefiro uma língua imaculada, a uma língua maculada com toda a casta de excessos. Mascarados de "evolução". É que o acordo é ortográfico e não lexical nem de estrutura frásica.
Custa -me muito ouvir jovens licenciados portugueses a dizerem: acho que consegue-se, poderá me dizer, que realizou-se e outras pérolas. Para já não falar das legendas brasileiras de quase todos os filmes e vídeos que inundam o mercado. Fomos efectivamente colonizados, até na língua.
É que, sabe, às vezes mais vale estar-se orgulhosamente só.
Quanto ao dito "acordo", faça uma lista das palavras que se escreviam da mesma maneira em ambos os lados do Atlântico, e como se escrevem agora, e verá onde está o "acordo". Exemplos: excepcional, recepção, etc. etc.
Não somos nós que lucramos com este famigerado (des)acordo. Quem terá sido? Acho que já vimos quem! A tal identidadezinha nacional, viu?
Zé do Boné (anti _ acordista) convicto e documentado.
E não me emendem por favor a ortografia. Não é agora, ao cabo de tantos anos sem errar que vou aceitar as regras de uns iluminados da língua. Como dizia um amigo meu, "agora que o acordo é imposto, eu que era a favor do novo, só me apetece escrever no velho. E só não escrevo farmácia com ph porque já aprendi a escrever com f".
Pois é, acordos há e houve muitos; mau como este houve poucos

Ana Paula Menezes disse...

Permita-me que refira, também, algumas questões em torno do seu comentário - os jovens portugueses não escreverão melhor nem pior com o novo acordo ortográfico (de forma distinta, se alguma vez formos competentes suficientes para ultrapassarmos esses outros perigos de contaminação e empobrecimento que resultam da falta de cultura geral e gosto pelo saber!). Aliás nem este argumento me parece, a meu ver, sustentação para as imbecilidades que dizem e escrevem - nem podia, afinal cresceram na clareza ortográfica! Pessoalmente "o orgulhosamente só" foi, é e será sempre redutor - não permite abrir horizontes. Acresce o facto de continuar a defender que o património linguístico é também elemento de evolução - nem é tanto e apenas uma questão de uma ou outra grafia, mas antes a consciência de uma permanente atualização. E permita-me também que volte a reiterar o facto de não considerar que haja perda de identidade nacional - essa será uma questão bem mais lata - mas andamos entretidos e parece-me que não queremos ver!

Ai meu Deus disse...

Um dos argumentos mais utilizados contra o acordo é, de facto, a identidade da língua associada à identidade nacional. Para lhe fazer companhia, junta-se-lhe a "identidade etimológica"...

...tudo como se todas estas entidades fossem naturezas mortas -- ou, se se preferir, imortais. Esquece-se (ou ignora-se) a evolução da língua falada e da ortografia. Pela proximidade ao étimo, deveria escrever-se "persoa", mesmo dizendo-se "pessoa" -- porque deriva de "persona".

Quando se pensa nisto, encontram-se exemplos aos pontapés. Só mais este: "peçonha" derivou do latim "potione-" (bebida, ato de beber, beberagem,...). De onde derivou também "poção". Na lógica dos defensores da proximidade etimológica, por que razão não se há de escrever "poçonha"? A seu favor (ou não), têm o facto de já se ter escrito assim.

Anónimo disse...

Então, D. Meneses! (estou a ser machista e reaccionário)
O novo acordo ortográfico vai fazer-nos sair do isolamento?
Parece os formadores dos jovens dos call-centres dos MEOS e quejandos, a pensar que o país evoluirá e se irá igualar aos EU (credo, cruzes, canhoto!)pelo simples facto de desatarem a tratar-nos a todos pelo nome próprio! E às mulheres por Maria. Por ser o primeiro nome, dizem eles. Coitaditos!
Como a maior parte delas é Maria, antes do nome que os pais delas lhe puseram , já vê!
É o país das Marias. Como pensavam os autóctones dos países da imigração.
Como vê, não nos livramos dos estereótipos, nem da imigração, nem do AO.
Reaccionário,eu ? Valha-a Deus! Só se for pela minha reacção visceral a ESTE acordo. Pior do que urticária
Zé do Boné