TRUMP(A)

DIA DA MÃE

Hoje o dia esteve mais ou menos carrancudo; pelo menos aqui a Sul. No Dia do Trabalhador fez uma temperatura de se lhe tirar o chapéu, mas hoje, dia Da Mãe, o São Pedro, que não deve ter tido mãe, já que era Santo, não esteve pelos ajustes e zás: tomem lá que é para não se habituarem ao sol e à praia, todos os dias. Ainda por cima, nós aqui no Céu não temos praia!

Mas como alguém disse um dia que o Natal “é quando um homem quiser”, também o Dia da Mãe pode ser “quando uma filha quiser”. E foi o que fez a minha. Assim, comemorámos ontem este dia, pois então.

O pior é razão para tal facto: é que ela trabalha aos Domingos, Feriados, e quando “a patroa quiser”. E viva o velho, que tem emprego, dizem-me algumas pessoas que habitam este país (des)governado, conformadas.

Efectivamente, tem. E que emprego! Eu é que me não conformo, ao vê-la esforçar-se, orgulhosa das belas notas e do seu percurso académico, recebendo ao fim do mês a mísera quantia de 449 euros, que é o que resta do ordenado mínimo, depois dos devidos descontos. E viva o velho!

De onde terá vindo esta expressão? Só espero que este velho não seja aquele em quem estou a pensar. E estou igualmente a pensar noutra personagem que mal aflorou a Universidade, ascendendo, e acedendo, não obstante, a um lugar ao sol.

Como pode uma mãe, amargurada, comemorar seja o que for, nestas circunstâncias? Apetece é ir prantar-se junto a certos locais, em protesto. E fazer greve de fome. Para grandes males, grandes remédios.

Eu sei que não sou a única com motivos de queixa. Ora, com o mal dos outros podemos nós todos bem.

E no Dia da Mãe, que forma melhor de desabafo existe, do que o emprego de vários AFORISMOS? Digam lá!

escrito por Gabriela Correia, Faro

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