TRUMP(A)

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MORREU UMA MULHER


Um dos primeiros textos (precisamente, o quarto) do Ai Jesus! ficou registado com o título MORREU UM HOMEM. Escrevi-o à memória do pai e sogro dos meus melhores amigos, que nesse dia os/nos deixou, e como reflexão sobre a morte e sobre a importância de quem morre.

Hoje, deixou-os/nos a mãe e sogra dos que
[11 anos depois e há muitos anos mais] 
continuam a ser os meus melhores amigos. Um abraço muito forte para a Fernanda e para o Carlos (um dos construtores deste blogue)...

... recordando, novamente, o Pequeno Poema de Sebastião da Gama:

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
escrito por ai.valhamedeus

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SEXAGENÁRIOS

O Carlos Lopes

[o nosso -- um dos feitores do Ai Jesus!]
defende, serenamente, uma teoria segundo a qual a partir dos 60 anos de idade se deixa de ser gente para se passar a ser... sexagenário. Sustenta-se num argumento de peso (ainda que factual -- e os factos são, mas nem todos têm que ser): quando, de algum modo, é personagem de cenário dos chamados mass media, gente no grupo dos 60 é referida, não com qualquer dos atributos mais comuns (agricultor, beirão, cigano, elemento do cds-pp...), mas como... sexagenário. Mais ou menos subtilmente, como... velhote ou muito próximo daí.

Quando, por brincadeira ou não, esgrimo esta teoria, com frequência sou confrontado com objeções também de peso. Com contra-exemplos, diria alguém. Algo no género disto:
Velhotes?! Achas que o Chico Buarque (de 68 anos) é velhote? ou que Caetano Veloso (60+10 anos) é velhote? É claro que Cavaco Silva (de 60+13 anos) é velhote, mas já o era antes de ter 60 anos. Ou seja...
Ou seja... calo-me!

escrito por ai.valhamedeus [com um abraço para o Paulus Ratzinger, que me inspirou estes parágrafos, por, hoje, ter entrado no clube dos sexagenários. Camarada, aguarda só um pouquinho: estou chegando...]

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ANGÚSTIA AO AMANHECER

-- Nós não temos futuro,
Só presente!
Disseste tu em tom condescendente,

Mal sabias então
O quão perto da verdade estavas.
Enquanto desiludida e triste
Te sentavas na beira da cama,
Estremunhada.
Envolta em sonhos com que te vesti.
O cabelo revolto, em frenesi
De mil noites por existir.
(Guarda, Agosto 2001)

escrito por Gabriela Correia, Faro [homenagem ao Vicente Roma nos 6 anos da sua ausência]

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UM ABRAÇO PARA O CARLOS

Porque ninguém é substituível,
de facto,
porque algumas pessoas são ainda menos substituíveis
que outras,

deixo-te um abraço público, depois do privado.
E para os teus.
Em particular para a Fernanda.

escrito por ai.valhamedeus

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JUAN GELMAN, PRÉMIO CERVANTES 2007

O poeta argentino Juan Gelman venceu o Prémio Cervantes 2007

[atribuído pelo ministério espanhol da Cultura],
o mais importante galardão das Letras hispânicas.

CHUVA

Hoje chove muito, muito,
e parece que estão lavando o mundo.
meu vizinho do lado contempla a chuva
e pensa em escrever uma carta de amor
uma carta à mulher que vive com ele
e cozinha para ele e lava a roupa para ele e faz amor com ele
e parece sua sombra
meu vizinho nunca diz palavras de amor à mulher
entra em casa pela janela e não pela porta
por uma porta se entra em muitos lugares
no trabalho, no quartel, no cárcere,
em todos os edifícios do mundo
mas não no mundo
nem numa mulher, nem na alma
quer dizer, nessa caixa ou nave ou chuva que chamamos assim
como hoje, que chove muito
e me custa escrever a palavra amor
porque o amor é uma coisa e a palavra amor é outra coisa
e somente a alma sabe onde os dois se encontram
e quando, e como
mas o que pode a alma explicar?
por isso meu vizinho tem tormentas na boca
palavras que naufragam
palavras que não sabem que há sol porque nascem e morrem na mesma noite em que amou
e deixam cartas no pensamento que ele nunca escreverá
como o silêncio que há entre duas rosas
ou como eu, que escrevo palavras para voltar
ao meu vizinho que contempla a chuva
à chuva
ao meu coração desterrado


[Outros vídeos de/sobre Juan Gelman, no youtube].

escrito por ai.valhamedeus

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AQUELE ABRAÇO, AFONSO!

O Afonso

[o Saldanha]
deixou-nos. Fica a lembrança. E a saudade.

Deixo-lhe aqui um último abraço. E à Isabel
[neste momento de dor]
um beijo. Para ambos, Nothing Else Matters, na versão da banda Apocalyptica.

escrito por ai.valhamedeus

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MORREU UM HOMEM

Dizem os meus alunos que tenho um humor "bué de seco". Talvez tenham razão. Aos meus amigos, por exemplo, faço com frequência perguntas engraçadinhas do género "sabes quem morreu?" -- e satisfaço a sua curiosidade com a resposta "um homem no norte de África". Continuo a insistir nas piadinhas sem graça, apesar dos "sorrisinhos amarelos" que produzem: há qualquer coisa nelas que me agrada.

No exemplo dado agradam-me sobretudo as questões (filosóficas?) que supõe: o que é que torna importante uma morte [se é que (não) há mortes importantes]? o que é que falta à morte do homem africano para se transformar na morte de um senhor com honras de proclamação internacional?

...E, no entanto, todas as mortes são suficientemente dramáticas (e possivelmente trágicas), para um número restrito de pessoas. Disse morte mas podeia ter dito nascimento.

Quem primeiro me trouxe o interesse para estes domínios -- já lá vão uns anitos -- foi um poema de Sebastião da Gama:

Pequeno Poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...


(à memória do pai e sogro dos meus melhores amigos, que hoje os/nos deixou)
ai.valhamedeus@gmail.com

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