TRUMP(A)

MÚSICA PARA O FIM DE SEMANA - sassetti


A notícia (triste) de ontem: morreu Bernardo Sassetti, o músico que buscava o silêncio.

Em 2010, Sassetti lançou Motion, álbum que o voltava a juntar ao trio – Carlos Barretto no contrabaixo, Alexandre Frazão na bateria –, a formação que mais longe o levara em termos criativos, num caminho que se tornara progressivamente mais livre, recusando as habituais estruturas do jazz ao mesmo tempo que nunca perdia de vista o lirismo aprendido com Bill Evans. Era um entra-e-sai de melodias, de partes que regressavam circularmente e soavam ao melhor que a música pode querer soar: sem rumo, mas sem se perder. No entanto, a importância de Motion não se esgotava aí. O amor furioso que Sassetti tinha pela música correu sempre em paralelo com outras duas paixões: a fotografia e o cinema (estaria mesmo a trabalhar num filme). Motion vinha dessa ideia de encadeamento, de que cada música é parte de um movimento e de uma dinâmica total. Além da música trazia fotografias suas e foi apresentado em concerto acompanhado por curtas-metragens também por si realizadas.
Tudo isto, idealmente, seria lançado numa caixa chamada Motion Box.
 
[citado daqui]
[está aqui: parte 1, parte 2, parte 3]

escrito por ai.valhamedeus

1 comentário(s). Ler/reagir:

Anónimo disse...

Realmente foi uma notícia impensável, lida de raspão em nota de rodapé na televisão de um quarto de hotel, no Irão. Ainda pensei que seria engano. Infelizmente não era.
Gabriela
P.S. A propósito, se a oportunidade se vos apresentar, visitem o Irão: o povo merece e o país também. País de poetas e de jardins maravilhosos.
Nas écharpes que se vendem aos turistas, e não só, há poemas do grande poeta Hafez e um diz o seguinte:
"Quando vieres ter comigo, vem suavemente/ para que se não quebre o cristal da minha solidão"