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QUESTÕES DE MORAL

Questões de Moral é um programa sobre isso mesmo: questões de moral, nos mais variados quadrantes, sob as mais variadas formas, nas mais variadas geografias. Já aqui falei dele e vou repetir a autoria e o horário -- um programa de Joel Costa que passa na Antena 2, à Segunda-feira por volta das 13 horas e 15 minutos e repete às 23.30 do mesmo dia. Acho mal repetir no mesmo dia, mas é assim. Podemos sempre protestar junto do Provedor do Ouvinte.

Há um bom par de meses que o autor trata do tema das relações perigosas entre Hollywood e a Máfia, e dos seus métodos de persuasão e eliminação de provas. Hoje foi a vez de Marylin Monroe, da Máfia e dos “manos Kennedy”. O que me fez recordar 2 poemas, retirados da antologia “Rosa do Mundo _ 2001 Poemas Para o Futuro

CIVILIZAÇÃO

Nas guerras, antigamente,
não seguiam um princípio:
o mais forte ao mais fraco
roubava o que podia.

Agora, não é assim.
Mundo regem conferências.
Se mais forte faz sujeira,
Reúnem-se -- dão anuência
[Arany Janos (Hungria_ 1917/1882)]

A CANÇÃO DA FOME

Prezado senhor e rei,
Sabes a notícia grada?
Segunda comemos pouco,
Terça não comemos nada.

Quarta sofremos miséria,
E quinta passámos fome;
Na sexta quase nos fomos --
Não se aguenta quem não come!

Por isso vê se no sábado
Mandas cozer o pãozinho,
Senão no domingo, ó rei,
Vamos comer-te inteirinho!
[Georg Weerth (Alemanha_ 1822/1856)]

Pois, questões de moral!

escrito por Gabriela Correia, Faro

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QUESTÕES DE MORAL

Há dias que, apesar de soturnos devido ao persistente manto de nuvens, se revelam alegres e profícuos por via de pormenores apenas significativos para alguns.

Vem, a este propósito, referir o programa de Joel Costa, na Antena 2, intitulado precisamente “Questões de Moral”, e ao qual já aqui fiz referência. Ora, o seu último programa foi sobre os dois mais famosos castratti: Farinelli e Cafarello, que viveram e cantaram nas cortes dos reis Luís XIV e XV. E não só! Para os bispos e outros dignitários da igreja Católica, Apostólica, Romana.

Como se sabe, estes castratti, cujo dom infelizmente os haveria de trair, eram castrados quando a sua voz começava a engrossar e destarte ficavam com voz de soprano para comprazimento do poder, o secular e o outro, uma vez que as mulheres não podiam pisar o palco. Era pecado. As poucas que ousavam tal “infâmia” eram consideradas nada menos que rameiras.

No passado Sábado um padre/presbítero da Igreja do Porto apresentou, no Pátio de Letras em Faro, o seu último livro intitulado “Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação”/ Para um Mundo de pessoas e de Povos mais humanos. Falou de tantas coisas sobre o nosso mundo actual que seria impossível delas aqui dar conta; mas uma frase que me apraz registar foi a seguinte: a fertilidade está em risco em Portugal “não por causa dos homossexuais, mas em virtude do comportamento dos homens que preferem relações virtuais através da Internet, em vez de tratarem as mulheres com carinho e proverem às suas necessidades de afecto, e outras. Por ser mais fácil e não envolver “commitment”, digo eu. E disse ele também. Se lerem o último livro de Luísa Costa Gomes verão esse tema
(o mundo dos afectos virtuais)
nele tratado; tal como o eduquês dos objectivos, estratégias e demais folestrias educacionais. Ou não fosse a autora também professora de Filosofia do Ensino Secundário!

Logo na dedicatória do livro deste presbítero que foi preso pela PIDE por pelo menos duas vezes
(pois é, era o padre de Macieira de Lixa na altura da Guerra Colonial)
lemos o seguinte:
A
Todos os Bispos da Igreja de Jesus
Em comunhão ou não com o Bispo de Roma
O qual, por sua vez, para poder ser o primeiro,
Sempre há-de sentir-se entre iguais
E comportar-se como o último dos últimos
(cf. Marcos 9, 35)

E prossegue, com frases lapidares que encimam os capítulos/versículos do seu livro como estas: A Igreja celebra Francisco de Assis, mas prefere seguir o exemplo do pai; Meus irmãos Bispos: Mudai de Fé e de Deus!

Maria de Lurdes PintasilgoÀs 21h desse mesmo dia, passou na RTP2, um documentário sobre Maria de Lurdes Pintasilgo, com testemunhos de personalidades que com ela privaram, com testemunhos da própria, logo na 1ª pessoa, que comentou uma afirmação do entrevistador Joaquim Letria: apesar de católica praticante e pertencente a uma instituição católica actuante na sociedade portuguesa, foi, no entanto, da igreja católica que teve das críticas mais duras aquando do seu governo dos 100 dias! Com o ar sorridente e de consciência tranquila que a caracterizava ela ironizou contando uma pequena história: na homília de um determinado clérigo da altura este apelava aos crentes para rezarem muito e fervorosamente a fim de o Senhor os ajudar a eliminar o mal que nos afligia e governava. Ela, Maria de Lurdes, senhora de vasta cultura e inteligência rara ainda pensou que “aquilo fosse uma metáfora! Mas não, o mal que nos governava era eu!” e riu com bonomia. Como só um espírito livre e superior o consegue fazer.

P.S. Os espíritos farisaicos que lerem estas linhas preparem a fogueira! Ui, que medo!

escrito por Gabriela Correia, Faro

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ACONSELHO 1. ANTES DE SÓCRATES

Um dos meus programas de rádio preferidos: Questões de Moral, de Joel Costa, na Antena 2.

Publicito-o através de um dos últimos programas
[de 19 de Janeiro passado],
com o título Antes de Sócrates. Este Sócrates
[realça-o devidamente o autor do programa]
não é esse em que está a pensar, o "Doutor Engenheiro"
[entre aspas, citei Joel Costa].
Não. E os de antes de Sócrates também não são os Santanas, os Cavacos, os Guterres e outros que tais/iguais. Não. Sócrates é o grego. E os de antes de Sócrates são Tales, Anaximandro, Anaxímenes. Ou Empédocles ou Pitágoras.

Não estive a inventar... O programa
[este e os outros]
desenvolve(m)-se assim. Neste caso, trata assim de questões de moral pré-socrática.

E segredo-lhe mais: se perdeu este Antes de Sócrates "ao vivo", ainda está a tempo de o ouvir e até de o passar para cd. A Antena 2 tem-no disponível para descarga, gratuita, aqui
[despache-se, porque a antena vai renovando a lista e, um dia destes, acabará por desaparecer].
E, já agora, aproveite para descarregar outros da lista
[por exemplo, um com o título sugestivo Para uma reabilitação filosófica de Lili Caneças].
Garanto-lhe que não vai perder o seu tempo
[ou, se depois de ouvir Joel Costa, não ficar deliciado... não sei que lhe faça!...]
escrito por ai.valhamedeus

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SERÁ OUTRA VEZ QUANDO QUISERMOS - 4.

Questões de Moral

O 25 de Abril está associado, por contraste, ao regime ditatorial que governou Portugal entre 1926 e 1974. Um regime fascista?

Volto ao programa radiofónico Questões de Moral, para destacar uma série sobre o fascismo. Joel Costa já tratou
  • do fascismo em geral
    [como é possível alguém defender o fascismo? a moral fascista. O fascismo e o anarquismo, o nazismo, o socialismo/comunismo...],
    num programa sobre o fascismo na França dos anos 40 do século 20. Fê-lo, guiado sobretudo por um livro de um colaboracionista: Memórias de um fascista, de Lucien Rebatet;

  • do fascismo italiano. Da ascensão de Mussolini
    (no seio do movimento socialista/operário italiano),
    até ao momento em que foi encarregado de formar governo. Do fascismo italiano entre 1922 e 1945.
Se perdeu estes "episódios" na rádio, já não vai a tempo de os recuperar. Mas pode ainda passar para o computador, para o ouvir, Corrida em volta do Fascismo Português e 2 outros sobre Marcelo Caetano
[não se descuide, porque o programa de hoje ainda não está no sítio da Antena 2 e, quando for colocado, o último da lista, a tal Corrida, desaparecerá].
É só ir AQUI.

escrito por ai.valhamedeus

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NATAL 2008

Well, well, it's Christmas! Outra vez. Tão depressa! Ainda bem.

O que haverá a dizer a tão poucos dias do Natal? A frase estafada: “Natal é quando um homem quiser”? Ou, quiçá, escrever sobre uma época tão almejada por mil e uma razões que a própria razão não explica?

Poderia lembrar que há milhões de almas a quem o natal nada diz, nomeadamente aos seguidores de Mafoma
(Ya Allah que me perdoe);
poderia dizer que o natal não é para todos, ao invés do sol quando nasce; poderia referir a frase síntese que resume o mais recente programa de Joel Costa, incluído no genérico “Questões de Moral” e que reza mais ou menos assim:
Natal - a época em que se sanciona a moral do consumo, ou a época em que o consumo é uma questão de moral!;
poderia ainda referir a iniciativa levada a cabo pelo espaço cultural pátio de letras da Árvore Solidária da Poesia e cuja venda reverterá a favor da Provectus, organização de apoio à… Idade Provecta, precisamente. Poderia, enfim, dizer que vou a caminho de saborear as filhós feitas pela minha Mãe, de pano alvo sobre o joelho a estender a massa. Mas não é verdade: as ditas são compradas na padaria e não sei se serão tendidas, estendidas como no antigamente. Saudosismo?
Poderia ainda dizer que tenho saudades dos outros natais que antevia contigo e nunca chegaram a existir, porque quem decide quem é que merece a vida assim o quis: as Parcas, a genética, os Fados?

Assim sendo, ou não sendo, deixo os versos que seguem, com desejos de um natal o mais próximo das consciências de cada um, e de todos.
Boas Festas

-- Um Natal de paz e amor!
Dizem-me do alto
De um casaco de peles e saltos
Da Christian Dior.

Da paz nada sei.
Do amor sempre soube,
E ainda sei.

Sei da procura insana da sorte,
Do carreiro a alongar
Para a miragem do oiro no pote.
Sei da febril raspagem
Dum cartão de números mágicos
Com as cores do arco-íris.
Passaporte para o desejo
Alegre e complacente:
-- Um Santo Natal, minha gente!
(Natal de 2002)
escrito por Gabriela Correia, Faro

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JAZ MORTO E ARREFECE

O congresso do apagão jaz morto e arrefece.

Muito se escreveu a propósito do embuste laudatório, rodado em Espinho. Questões de empoderamento, atacando à má fila, de forma violenta, a legislação doméstica; pormenores e minudências ortográficas espalhadas a esmo pelo Magalhães e incursões várias da reputada escritora Margarida Moreira, pelo mundo da expressão epistolográfica, sob a forma de despacho, relegaram, sem apelo, o socratino congresso da confirmação latino-coreana para o inapelável limbo. Ainda assim, não querendo esboçar qualquer sopro pela memória do que convém esquecer, recupero dois textos que, na oportunidade, me escaparam de todo mas que, pela sua inegável qualidade e lucidez, merecem continuar a fazer caminho, ilustrando a já longa antologia do que é preciso denunciar sem rodeios:

O primeiro
["Fotógrafos rigorosamente vigiados no congresso do PS"]
esclarece, se ainda fosse necessário, o conceito de liberdade, segundo José Sócrates, através da lente atenta do fotojornalista do Expresso, Luíz Carvalho, e que, de todo, convém não esquecer. O segundo
["José Sócrates, o Cristo da política portuguesa"]
traça-lhe, em poucas linhas, a medonha biografia burilada a negro com a preciosa ajuda das forças ocultas que, paulatinamente e sem descanso, urge desocultar.
«Fotógrafos rigorosamente vigiados no congresso do PS

Na manhã seguinte à abertura do Congresso do PS, em Espinho, um assessor socialista mostrava-se radiante com a estratégia seguida para não terem deixado entrar os fotógrafos na zona reservada aos congressistas, na grande área do pavilhão. O que até hoje, em democracia, sempre aconteceu em todos os congressos de todos os partidos.

O resultado estava estampado nas páginas dos jornais da manhã de sábado: ali estavam as imagens neutras, bonitas, todas iguais, que davam a ver de frente o chefe projectado no grande vídeo-hall, a dimensão espectacular do congresso, sem haver fotografias intencionais que pudessem pôr em causa a solenidade da abertura.

Os fotógrafos, guardados por um assessor, foram autorizados a deslocarem-se ao meio do pavilhão, junto a uma câmara que dava de frente Sócrates a discursar. Puderam lá estar três rigorosos minutos, e voltaram escoltados de novo pelo assessor, para o lado mais distante do palco. No futebol está-se mais perto da baliza oposta do que ali durante a oratória de Sócrates.

A domesticação da imprensa visual funcionou. O Congresso foi visto de costas, não havia expressões de militantes enfadados, não se sabia onde estavam ministros e companhia, não havia retratos de conversas aos ouvidos, de olhares, de bocejos. Visto do alto da bancada, a mais de 100 metros de distância, Sócrates mal se via, encandeados que estavam os fotógrafos pela imagem gigantesca reflectida pelo video-hall. Melhor do que na Coreia do Norte, onde Kim Jong II consegue transformar a sua ridícula pequenez num homem aumentado a pantógrafo, de imagem fixa em tecnicolor comunista.

Foi tudo estudado ao pormenor no Congresso do PS. Depois de se ter salvo a brancura da abertura, Sócrates no sábado entrou, depois de almoço, pela frente do Pavilhão permitindo umas fotos rápidas no meio do povo. Depois não houve mais aproximação possível. Mas na manhã de domingo, quando a coisa estava a correr bem, os socialistas prepararam uma chegada triunfal de Sócrates.

Um grupo de velhinhas, que tinham viajado de autocarro socialista, esperavam Sócrates à saída do carro, os fotógrafos e cameramen podiam saltar-lhe em cima, entre atropelos e gritaria, sabendo os assessores que naquela altura a confusão ficava bem no retrato, mostrava envolvência, interesse, apoio, banho de multidão e dava a ideia que afinal Sócrates e congressistas tinham estado sempre acessíveis aos jornalistas. Competência, sem dúvida.

Na hora do encerramento os fotógrafos voltaram a ser escoltados até um canto do pavilhão e mais tarde conduzidos até ao meio, novamente junto a uma câmara de televisão. Quando Sócrates era aplaudido os congressistas levantavam-se e os fotógrafos pura e simplesmente não conseguiam fotografar nada a não ser cabeças.

No final, eu e o Alfredo Cunha rompemos o cerco e avançámos para o palco. Um polícia da segurança de Sócrates agarrou-me um braço e empurrou-me, perante os meus protestos veio outro que me voltou a puxar pelo braço e um deles ameaçou prender-me. Claro que nada disto é grave porque é habitual a segurança tratar com este mimo os fotógrafos. É um clássico praticado por todos os gorilas de todos os partidos.

Mas o que aconteceu foi a menina que estrategicamente segurava num ramo de rosas avançou, numa marcação teatral perfeita, ao encontro de Sócrates, um grupo de congressistas jovens fez questão em posar com o líder para um telemóvel. Tudo decorreu num admirável plano sequência, num aparente caos, mas que estava controlado, marcado. Os fotógrafos nervosos, ansiosos por captarem um momento forte, também ali estavam como figurantes à volta daquele protagonista.

O Partido Socialista usou de uma arrogância e de uma falta de tolerância democráticas graves, intoleráveis num partido que gosta de falar em liberdade, mas que na hora preferiu usar aquela ideia de jerico de Pacheco Pereira há uns anos atrás, quando decidiu proibir a circulação de jornalistas nos corredores da Assembleia.»
[Luiz Carvalho, fotojornalista do EXPRESSO]
«JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

João Miguel Tavares
Jornalista - jmtavares@dn.pt

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo-nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro – se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra – feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira –, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.»
[DN, 3.3.09]

escrito por Jerónimo Costa

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DA INÉPCIA COMO VIRTUDE

Segue um texto de grande lucidez de Baptista-Bastos.

Para que conste e porque está lá o essencial sobre a pardacenta figura que se prepara para tornar ainda mais insuportável esta "apagada e vil tristeza".
Devo confessar, à puridade, um desejo modesto, porém ardente: gostava de que o Presidente fosse um homem culto, lido, cordial e descontraído. Não o é. E o meu recatado desgosto consiste no facto de ele desencadear, com as deficiências culturais e aleijões de carácter que demonstra, um generalizado reflexo condicionado. Os dez anos que levou de primeiro-ministro constituíram um cerco e o esmagamento das desenvolturas e das exaltações que o 25 de Abril nos tinha proporcionado. O País cedeu ao mito do político severo, austero, hirto e denso. E admitiu, como sua, a imagem brunida que ele expunha. Um chato. Mas um chato perigoso por aquilo que representa.

Nada tenho de pessoal contra o senhor. Ele pertence a uma sociedade velha e relha, que apenas assegura formas de autoritarismo. Estes cinco anos de Presidência acentuaram o infortúnio. Os debates nas televisões foram expressivos do desagrado que algumas intervenções causavam no dr. Cavaco. Trejeitos de ira, e contorções dos músculos faciais, movimento descomedido dos lábios, frases desmedidamente agressivas. A medonha panóplia de exercícios paliativos forneceu-nos a estirpe do indivíduo e a compleição do político.

O pior foi o discurso da quadra. Se o de José Sócrates representou a vacuidade total, o do dr. Cavaco fundamentou a admissão de uma era vindoura de incertezas. Apenas a reiterada advertência de que "eu bem avisei a tempo". O disperso, confuso e absurdo afastamento de responsabilidades que também lhe cabe. Depois, o caso do BPN e da Caixa Geral de Depósitos. Então, as debilidades da natureza moral do candidato emergiram de roldão. Ao acusar de incompetência a administração do banco das fraudes, trucidou alguns dos seus antigos comparsas de Governo, entre os quais o perplexo e honesto Faria de Oliveira. Procedeu como o fizera com Fernando Nogueira, Santana Lopes, Fernando Lima: serviu-se e descartou-se. Perante as acusações de tibieza que lhe foram feitas, o homem, atabalhoadamente, tentou proteger-se usando o pretexto que lhe é comum: disse que não dissera o que tinha dito e acusou os jornalistas de interpretação abusiva. Uma televisão retransmitiu a verdade dos factos e as declarações proferidas. Nem por isso o prevaricador se retractou.


Já cansa repetir que o dr. Cavaco é um incidente desgraçado na nossa história próxima recente. Metáfora de um país sem juízo, também não chega. Ele resulta de uma confusão entre a ignorância e a beatífica admissão de uma cultura de aparências. Surpreende (ou não?) haver gente de envergadura intelectual e moral a apoiar, para reeleição, uma criatura que, por incultura, inépcia e desadequação nunca encontrou a fórmula de viver e de actuar perto das questões e do coração dos portugueses.
[BAPTISTA-BASTOS in DN, 5 Janeiro 2011. sublinhados meus]

escrito por Jerónimo Costa

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CAFÉ PHILO - 16 DE MAIO

CAFÉ PHILO
DIA 16 de MAIO às 21H00
Na Cafetaria do INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS
TEMA: A RELAÇÃO COM O OUTRO / LE RAPPORT À AUTRUI

Debate em francês e português animado por

Jean-Yves Mercury
Dominique Mortiaux
Nuno Nabais

Depois do enorme sucesso de afluência e participação do primeiro Café Philo no Instituto Franco-Português, um novo encontro/debate ficou marcado para dia 16 de MAIO às 21h00 na Cafetaria do Instituto Franco-Português (Av. Luís Bívar, 91 em Lisboa).

O tema agora será A RELAÇÃO COM O OUTRO / LE RAPPORT À AUTRUI.

Rapport à Autrui/Relação com o Outro

Até onde vai o conceito de “Outro”? Poderemos nele incluir a experiência de nós próprios? E um animal: é ele também um Outro? O outro é o estranho, o diferente, ou simplesmente o não-Eu? O que é primeiro na estrutura do Outro: o Tu ou o Ele/Ela? E porque é que o Tu não admite a mesma diferença entre o feminino e o masculino que o Ele/Ela?

Estas questões parecem ser universais, atravessar todas as épocas e todas as culturas. E, no entanto, sabemos que isso não é verdade. Há tradições especulativas que, em si mesmas, são mais sensíveis à questão do Outro. Esse é o caso da filosofia em língua francesa - talvez por o seu momento fundador ter sido construído sobre a exclusão radical da ideia mesma de uma existência para além de mim. De facto, Descartes praticou o mais absoluto eclipse do Outro, caído sob a suspeita de um erro dos sentidos. E, durante quatro séculos, a tradição intelectual francesa procurou escapar a esse horror cartesiano de um Eu afundado na solidão metafísica da certeza de si enquanto ser pensante. Rousseau encheu-se de compaixão por todas as formas do Outro, desde o bom selvagem à criança do Emílio, e desde o cidadão universal ao devir-feminino de La Nouvelle Helouise. Já Sade tomou essa imensa galeria das alteridades para as profanar e, desse modo, instaurar uma nova versão do contrato social de Rousseau, onde o Outro é sem reciprocidade. Foi preciso esperar por Sartre para se recolocar a questão do Outro no centro de uma meditação sobre a existência humana. Mas aí a reciprocidade apareceu como o inferno mais absoluto. O simples olhar de alguém sobre mim tornava-me prisioneiro do seu mundo. Lévy-Strauss transformou esse inferno no paradoxo instaurador das ciências humanas. E os anos 50 e 60 da antropologia francesa alimentaram-se da promessa de uma descrição descentrada das nossas identidades europeias a partir do que seria um pensamento absolutamente Outro ou "pensamento selvagem". Nos anos 70, Lévinas fazia do Outro, não já um problema ontológico ou epistemológico, mas o dado primeiro de uma experiência ética. Ao contrário de Sartre, seria pelo facto de alguém me olhar e de instaurar em mim a obrigação por cuidar dele, que eu me liberto, que me torno um sujeito capaz de agir. Para Lévinas, eu só me constituo como sujeito moral enquanto reconheço que a existência de um Outro “me diz respeito” (me regarde).

Porém, nos últimos anos, o Outro parece ter vindo a tornar-se num conceito em desagregação. Na forma do estrangeiro ou do imigrante, o Outro é hoje o sinal do apocalipse próximo. Ele legitima novas formas de exclusão e de controlo bio-político das fronteiras. Pacificamos a nossa má-consciência de comunidades blindadas alargando o conceito de Outro até ao domínio do Animal. São vacas, cordeiros, coelhos em geral que se revelam como o verdadeiro olhar de um Outro que nos interpela eticamente do interior do mandamento “não matarás!”.

Por outro lado, no plano dos costumes, descobre-se que a forma mais pura de defender o direito a ser-Outro, é legalizar o casamento homossexual, o que implica afirmar o império do Mesmo ou do Homogéneo.

Onde estamos na questão do Outro? Ainda nos sentimos tocados por Rimbaud na sua famosa fórmula “Je est un autre”?

A Entrada é livre

Margarida Antunes da Silva
Attachée de Presse/Relations Publiques
Instituto Franco-Português
Av. Luís Bívar, 91
1050-143 Lisboa

Tel: 21 311 14 27 Fax: 21 311 14 63
margarida.silva@ifp-lisboa.com

escrito por ai.valhamedeus

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SEXO E MORAL

Num texto anterior, afirmo que No sexo não há moral. Um comentário da Catarina leva-me a fazer o que na altura não fiz: justificar-me.

Como bem explica André Comte-Sponville, a moral/ética responde à pergunta Que devo fazer? Mas, ao responder a esta pergunta, de certo modo encontro a resposta para outra: O que todos devem fazer? Assim, quando à pergunta Devo ajudar os outros? respondo que Sim!, estou a dizer que é isso o que todos devem fazer.

Isto, no domínio da moral. Mas há domínios onde não é assim -- e esses não são domínios da moral. Por exemplo, quando decido que o branco é a cor que devo usar no Verão, essa decisão não implica a obrigação de os outros fazerem o mesmo. Ou seja, neste domínio, não há moral.

É neste sentido que eu defendo que no sexo não há moral. Devo "fazer sexo" só na cama ou também pode ser no chão? só no chão do quarto de dormir ou também no da cozinha? só com outra(s) pessoa(s) ou sozinho? ou não devo masturbar-me? usando preservativo ou desprotegidamente?

E as perguntas poderiam continuar. Qualquer resposta que eu dê vale para mim
[e para a(s) pessoa(s) eventualmente implicada(s)];
quero dizer, não tem o carácter universal que tinham as respostas morais.

Não é este, no entanto, o entender de quem defende uma moral sexual. O Vaticano, por exemplo. Segundo este(s), o dever de não usar anti-conceptivos é universal; o mesmo acontece com os deveres de rejeitar o sexo anal, o sexo antes do casamento, o sexo com pessoas do mesmo sexo, o sexo em grupos... Isto
[entendo eu e apenas no que diz respeito ao tema deste texto]
são questões tão amorais como a cor das meias por que opto ou a opção entre cueca e fio dental.

Digo eu. E o leitor?

escrito por ai.valhamedeus

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A INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

Sou contra o aborto. Visceralmente contra o aborto. Sobretudo o aborto por questões estéticas

(as peles na barriga),
o ditado por questões económicas
(por se dividir a herança. Não há dinheiro para dois filhos no Colégio Alemão).
Aliás estas “madames” sempre podem ir à clínica Arcos. Por isso podem ser contra o aborto, convictamente.

O aborto é um acto doloroso, tanto físico como moral. Ninguém aborta, penso eu, cantando e rindo. Ninguém é a favor do aborto. Eu também não sou.

Mas também sou contra as condições em que muitas mulheres engravidam. Por violação, sob efeito das drogas, por falta de conhecimento de métodos contraceptivos. Por uma vida de carência e de miséria nos bairros pobres do nosso país. A das mulheres que vivem na exclusão
(como se diz agora),
à margem da sociedade, subjugadas por uma vida de miséria e promiscuidade.

As mulheres pobres que abortam fazem-no em locais sem condições, com perigo de morte, até. Por ano, são milhares as mulheres que recorrem a essa forma de interrupção “voluntária” da gravidez. Chorando sangue muitas vezes. A isso acrescenta-se a possibilidade de serem acusadas, julgadas e encarceradas. As “madames” foram às clínicas; as miseráveis vão a um vão de escada de um carniceiro qualquer. Poupem-nas ao julgamento dos homens, deixem-nas sós perante Deus e a sua consciência.

escrito por Carlos M. E. Lopes

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