O director do diário do governo do norte
[que é como quem diz o JN]escreve hoje:
Os professores de Paredes de Coura não queriam que as crianças a quem dão aulas fizessem um desfile de Carnaval pelas ruas da terra. A marcha não era essencial à aprendizagem e os professores não dispunham de tempo, pois estavam assoberbados com tarefas relacionadas com a avaliação.
Percebe-se que os professores não podem pensar exactamente isto: um desfile de Carnaval não é uma aula e nele pouco se aprenderá. Mas as actividades lúdicas fazem - devem fazer - parte da escola e ajudam à integração dos jovens. Os professores sabem-no. O que se lamenta é que o braço-de-ferro que mantêm com o Governo os tenha levado a pôr-se de fora, prejudicando as crianças, roubando-lhes um Carnaval com que certamente andavam a a sonhar e tornando-as parte de um conflito em que não têm sequer idade para dar opinião. Mas a DREN, cuja actuação de outras vezes tem merecido criticas, achou que não devia ceder e os professores foram obrigados a acompanhar os alunos. Fizeram-no acorrentados, vestidos de negro, amordaçados, alguns até com sacos de plástico pretos enfiados na cabeça. Ninguém terá olhado para o corso infantil, pois o desfile dos professores naqueles preparos abafava todos os olhares. Iam assim, explicaram, para gritarem a sua indignação por terem sido obrigados a participar, para mostrar como a democracia e a liberdade estão em perigo.
Vamos partir do princípio que este incidente foi um acidente. É que, se o que dizem é sentido e não coisa de Carnaval, então há fortes razões para pensarmos que, com professores destes, a democracia pode estar em perigo e o ensino decididamente perdido.
(só para dar um exemplo)
"suspender algumas das 164 iniciativas previstas no plano de actividades devido à falta de tempo" (negrito meu),mas apenas "aquelas que não foram consideradas indispensáveis ao processo de aprendizagem das crianças".
Os pais já gritaram aqui d'el rei e querem "garantir a realização de outras actividades canceladas, como as visitas de estudo de alunos até ao 8º ano e as idas à praia com as crianças da pré-primária"; provavelmente "esquecem-se" de que tudo isso requer tempo -- mas tempo, dá-o Deus de borla
[pelo menos nalgumas profissões, dão-no os profissionais. E talvez o director do JN se não importe que seja o caso dos jornalistas do "seu" jornal].
- O sr. director reconhece que um desfile de Carnaval não é uma aula e nele pouco se aprenderá. É uma das "actividades lúdicas" de que os professores não devem "pôr-se de fora, prejudicando as crianças". Se o fizerem, estará o "ensino irremediavelmente perdido". Ou seja, é este o ensino segundo o senhor director e segundo outros senhores directores: actividades lúdicas...
- Há um aspecto de que o senhor director se esqueceu: foi perguntar-se que autoridade tem a senhora directora da dren, independentemente de ter ou não razão, de impor estas coisas. Abuso de poder, é o que é.



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